segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Especial: Feito à Mão

por Hellen Katherine

Exclusividade e pessoalidade são alguns dos fatores responsáveis pelo destaque do artesanato na decoração.

Quarto de Bebê - Aqui, tudo foi feito à mão, até mesmo a árvore com copa de patchwork.

Em uma época em que se fala mais de sustentabilidade do que qualquer outro assunto, parece bastante natural – e ecologicamente correto – que o consumidor, de uma forma geral, busque por alternativas que não só sejam amigas do ambiente como um todo, mas também vantajosas para seu orçamento no fim do mês. Trata-se de uma tendência mundial: preferir o bom, bonito, barato e “verde”, de forma que fica até difícil acreditar em quem diz que não liga, em absoluto, para essas questões na hora de obter qualquer produto. Faz sentido, assim, que este panorama seja o grande responsável pela valorização do artesanato atualmente, em todos os setores, certo? Errado.
Estamos assistindo a um verdadeiro boom das artes manuais, em diversos segmentos. Uma valorização merecida e, certamente, um tanto quanto tardia se olharmos pra trás. O artesanato sempre esteve presente nas culturas de todos os povos ao redor do mundo, determinando suas características, desde tempos primórdios. “O artesanato, de fato, sempre esteve em alta, até mesmo por ser uma fonte de renda para tantas pessoas”, afirma Cynthia Marafanti, jornalista do Portal de Artesanato. Mas, hoje, vai além disso. A atividade, muitas vezes mal percebida, praticada há tanto tempo, ganhou novo status, estando, recentemente, entre os tópicos mais discutidos sobre moda e, principalmente, decoração. O que mudou? “O que aconteceu nos últimos anos foi o reconhecimento do artesanato no setor de decoração, abrindo mais espaço para a art décor. Decoradores renomados incluíram trabalhos feitos à mão em feiras e exposições, mostrando ao mundo como personalizar cada canto da casa, registrando a assinatura do morador”, explica Cynthia.
O termo art décor é uma abreviação, de origem francesa, para a expressão arts décoratifs – estilo decorativo, firmado nas artes plásticas, design, arquitetura e decoração, que surgiu entre o fim do século XIX e início do século XX, principalmente em referência à Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais. O evento ocorreu em Paris, 1925, onde foram apresentadas peças que ligavam a decoração às artes.
Considerado, por muitas vezes, o precursor da arquitetura moderna, o art décor trouxe o estilo despojado e geométrico para o consumidor e, por isso mesmo, nem sempre bem aceito no mercado – a corrente se encaixou entre o art nouveau, rebuscado, e o modernismo, simplório. Foram os EUA que popularizaram o estilo, misturando decoração com senso estético super apurado, principalmente, em Miami – onde se vê diversos prédios e detalhes seguindo o conceito.
Fechando esse breve histórico, fica fácil entender porque a valorização do artesanato na decoração tem tanto a ver com esse famoso movimento. A mistura do moderno com a variedade de detalhes são pontos inconfundíveis de peças handmade. Certamente, essa associação emprestou ao artesanato um novo cartão de visita – bem diferente daquele usado antes, involuntariamente. “De uns três anos para cá, os trabalhos feitos à mão deixaram de ser vistos apenas em feiras hippie e conquistaram destaque em grandes feiras de decoração, como a Casa Cor e o Salão Internacional de Milão”, destaca Cynthia, analisando, porém um outro ponto. “É verdade que o artesanato deixou de ser apenas um suvenir baratinho, para ser objeto decorativo, com valor. Mas também é real que nem todo mundo valoriza e paga o quanto realmente vale um produto exclusivo, único e feito à mão”.

Sem dúvida, ainda há muito a se caminhar nesse sentido. Os materiais para a confecção de algumas das mais famosas técnicas do artesanato, como patchwork e scrapbooking, por exemplo, não são nada baratos, já que, muitos deles são importados. Respondendo, então, à pergunta inicial: o que está por trás desse novo status do artesanato, principalmente na decoração, não é o preço, tampouco o fator sustentabilidade. É a exclusividade.
“Em um mundo globalizado, onde quase tudo é produzido em massa, adquirir produtos únicos e exclusivos passou a ser tendência. Assim, decorar a casa com artesanato não é apenas uma forma de economizar, mas também de deixar o espaço com ‘a sua cara’ – até porque uma peça artesanal pode ser mais cara”, garante Cynthia. O toque de pessoalidade, intrínseco na grande maioria das peças artesanais, chama a atenção dos apaixonados por arte genuína, pelas produções que fogem do sistema de consumo de peças idênticas. Em um mundo onde tudo está tão misturado, a decoração artesanal vem resgatar um pouco da individualidade, sem perder, em nada, a qualidade e a beleza dos detalhes.

Foto: Home Office da Casa Mega Faça Fácil. Além de quadros de scrapbooking, destaque para o lustre de garrafas de perfume.


Técnicas e materiais
O artesanato é baseado em algumas técnicas principais, que podem ser aplicadas em diferentes materiais, desde as produções mais simples, como pequenos detalhes para a casa, até as mais refinadas, como restauração de móveis e grandes objetos. “Trabalhos em patchwork, como colchas, almofadas e artigos decorativos confeccionados com tecido são os mais cotados em lojas e feiras de arte. Outra técnica muito procurada é a forração de caixas”, diz Cynthia.
Além das já tradicionais, a intervenção das técnicas de design na concepção das peças está resultando numa revolução no artesanato, que vem se aprimorando a cada dia na descoberta de novos e eficientes produtos – dignos substitutos de peças fabricadas por grandes lojas de decoração. Grandes decoradores e arquitetos já aderiram à ideia e vêm apostando na tendência com peças, não só brasileiras, mas feitas a partir do artesanato de vários países. Resinas especiais e carimbos artísticos são alguns dos materiais de maior destaque.

Paralelo a esse processo, os próprios artesãos não pararam no tempo e estão acompanhando essa nova fase da arte decorativa. Novos conhecimentos especializados, novas formas e cores estão sendo aplicados no que, antes, era considerado apenas “lembrancinha de feira”.

Em meio a essa gigante gama de materiais, vale lembrar os artigos decorativos feitos a partir de reciclagem. Sim, a reciclagem pode ser uma opção estilosa e sofisticada para a decoração do lar, se bem feita – muito além da garrafa PET e da latinha de refrigerante. “Há muitos outros materiais que podemos usar para criar artigos bonitos e modernos. Lustres belíssimos, feitos com vidros de perfume, abajur com cúpula de filtro de café tingido, espelho com moldura de materiais reciclados, como miniaturas de metal...”, a jornalista exemplifica e finaliza – “Assim como em qualquer decoração, cabe o bom gosto para combinar cores e estilos”. Vale para a decoração, vale para o artesanato.


Foto: Cozinha - A tradicional pia foi substituida por uma bacia de alumínio. Já o registro da torneira ganhou uma rosa de metal.


Agradecimento: Cynthia Marafanti (Portal de Artesanato)
Fotos: Divulgação/ On Line Editora - Sidney Doll

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